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Software é a causa de vários recalls em 2009


Nas últimas décadas, com o avanço tecnológico, é possível constatar uma grande evolução das indústrias em praticamente todos os segmentos. Além disso, também notamos um considerável aumento da preocupação humana com a qualidade de vida e o crescimento de um mercado de bens e serviços ecologicamente corretos. Por causa disso, a cada ano, produtos e bens de consumo se tornam mais “inteligentes” e “sustentáveis”. Como exemplo, podemos citar aspiradores de pó robotizados com baixo consumo de energia, máquinas de lavar e secar mais eficientes e com menor desperdício de água e veículos mais seguros, confortáveis e com menor consumo. Novamente, esse cenário só foi possível devido ao desenvolvimento das tecnologias utilizadas no hardware e software cada vez mais presentes em tais produtos.

No setor automobilístico tal evolução é percebida praticamente a cada novo lançamento. Carros com freios ABS, trio elétrico, ar condicionado e motores flex são cada vez mais comuns, e esses itens já se tornaram itens de série. Os carros se diferenciam pelo preço e também por novos opcionais tecnológicos, que em alguns anos com certeza também se tornarão de itens série. Dentre eles podemos citar sensores de chuva, estacionamento, piloto automático, câmbio automático, air-bags, etc... Para essa tecnologia ser viável, custos com pesquisa, desenvolvimento e testes do hardware e software são bastante elevados.

Outro fato, é que os veículos que chegam antes ao mercado e com preços mais atrativos se tornam preferência do consumidor. Existe uma grande pressão para que os novos modelos cheguem rapidamente ao mercado. Em meio a esta pressão, as montadoras acabam liberando produtos com problemas. Neste ano de 2009, o número de recalls desses veículos aumentou consideravelmente. Grande parte de tais recalls se deve a falhas de software e a necessidade da aplicação de atualizações no software embarcado nos veículos.

Neste ano, CITRÖEN, PEUGEOT, VOLKSWAGEN, FORD, VOLVO, BMW e FERRARI são apenas algumas das montadoras que apresentaram planos de recalls para alguns de seus modelos. De acordo com o artigo de Milene Rios, do G1, o ano de 2009 está se caracterizando como o ano em que ocorreram mais recalls na história de nosso país. As montadoras justificam que prezam pela qualidade e segurança de seus consumidores e sempre que um defeito crítico é encontrado, não economizam esforços para corrigi-lo. A Figura 1 logo abaixo, inspirada no artigo do G1, mostra o número de recalls desde 2003.

Número de recalls no Brasil, por ano
Figura 1: Número de recalls no Brasil, por ano.

No entanto, tal preocupação com o consumidor pode ser questionada. Será que as montadoras estão investindo o suficiente para impedir que estes defeitos ocorram? Será que os custos com teste de software possuem o mesmo peso dos custos em pesquisa e desenvolvimento? Muitos dos defeitos encontrados nos veículos chamados para recall poderiam ter sido evitados se testes mais efetivos tivessem sido realizados no software presente nesses carros.

Como exemplo de falhas de software no setor automotivo, podemos citar os modelos Passat CC e Eos da VOLKSWAGEN, onde foi detectada falha na interpretação de dados de temperatura; o Novo Gol, Fox e Voyage, veículos populares e também da mesma montadora, apresentaram falhas no sistema de partida a frio; o modelo VOLVO S80 cujo preço, de acordo com a tabela para o IPVA de São Paulo de 2010, pode variar entre R$ 141.000,00 e R$ 172.000,00 necessitou de uma atualização no software do módulo eletrônico devido a um possível acionamento incorreto dos limpadores de pára-brisa. Já os modelos C3 da CITRÖEN e 206 e 207 da PEUGEOT apresentaram problemas no software de controle de injeção eletrônica. Os modelos 307 CC e SW, também da PEUGEOT, possuem falha que poderia realizar o desligamento involuntário dos faróis. Algumas falhas, como esta última mencionada, são criticas e podem implicar, no pior caso, em perdas de vidas.

Além disso, imagine o prejuízo para a montadora e pessoas envolvidas devido a um recall. Se contabilizarmos apenas o número de veículos convocados pela VOLKSWAGEN em agosto deste ano, temos um total de 268.140 veículos. Se cada recall tiver um custo médio de R$ 100 reais, estamos falando de um prejuízo de 26,814 milhões de reais! Um detalhe importante: esta equação não contabiliza o impacto negativo provocado à imagem da montadora.

Fica então a seguinte pergunta para você, leitor: o que é melhor?

  • Apostar que o software está suficientemente testado e torcer para que uma falha que poderá lhe custar aproximadamente 27 milhões não seja ativada, ou
  • Investir mais recursos em teste e qualidade de software, maximizando a chance desta falha ser detectada e removida antes da entrega de seus produtos a seus clientes?

Pense em seus negócios e faça a sua escolha.

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Publicado em: 18/11/2009

Autor: Sofist - Intelligent Software Testing

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