A qualidade está nos detalhes

Artigos

As sete pragas do teste de software – A praga da cegueira


Vamos agora falar da última praga. Espero que vocês tenham gostado (dos textos, não das pragas!).

Imagine jogar vídeo game com os olhos vendados ou apenas com o monitor auxiliar desligado. Você não consegue monitorar a saúde de seu jogador, seus sistemas de mira estão perdidos! Você fica sem radar e sem nenhum sistema de avisos. Nos jogos, a inabilidade de acessar a informação sobre o mundo do jogo é debilitante e um ótimo jeito de ter seu jogador morto.

Existem muitos aspectos do teste de software que se enquadram no espectro invisível. Software é invisível. Nós o vemos apenas através da interface com muito acontecendo debaixo dos panos, fora do alcance de nossos olhos. Não é como construir um carro, onde é possível ver peças faltantes e muitos engenheiros podem olhar o carro e enxergar exatamente a mesma coisa. Não existe discussão se um carro tem ou não seu amortecedor instalado, ele está a vista, onde todos os envolvidos podem vê-lo. O mesmo não acontece com software, o qual existe como flutuações magnéticas em uma mídia de armazenagem, as quais não são muito úteis de se ver.

O teste de software é como jogar vídeo game com os olhos vendados. Não podemos ver falhas, não podemos ver a cobertura, não podemos ver mudanças no código. Essa informação, vital para nós testadores, está escondida em relatórios estáticos inúteis. Se alguém nos colocasse uma venda, poderíamos sequer perceber!

Essa cegueira com relação ao nosso produto e seu comportamento cria problemas reais para realização dos testes. Que partes do software foram mais testadas por testes de unidade? Que partes foram alteradas de uma versão para a outra? Que partes possuem defeitos em aberto? Que parte do software um caso de teste específico cobre? Que partes foram testadas rigorosamente e que partes não receberam atenção alguma?

Nosso tradicional remédio para nossa cegueira é medir a cobertura do código, APIs, métodos ou mesmo interface. Nós escolhemos as coisas que conseguimos ver melhor e medimos, mas isso realmente nos diz algo? Fazemos isso há anos, não porque é interessante, mas porque é o que nossa cegueira nos permite fazer. Interagimos muito com as aplicações testadas, mas precisamos confiar no feedback de sentidos menos apurados para saber o quão efetivo está sendo nosso esforço.

Testadores de software
podem aprender muito com o mundo dos jogos. Liguem seus monitores auxiliares e vejam a informação que tem ignorado. Existe poder na informação.

Share Compartilhe esse artigo

Publicado em: 29/10/2009

Autor: Texto traduzido e adaptado de James A. Whittaker

O que fazemos?

Newsletters

Cadastre-se em nosso site para receber nossas novidades em seu e-mail.





©Copyright 2009-2017 - Todos os direitos reservados.