A qualidade está nos detalhes

Artigos

As sete pragas do teste de software – A praga da amnésia


A memória é uma das primeiras coisas que se perde à medida que se envelhece. Porém, comparada às demais engenharias, a engenharia de software dificilmente pode ser chamada de velha. De fato, comparado à engenharia civil, elétrica e muitas outras, somos muito novos. Por isso, não podemos utilizar idade como desculpa para nossa amnésia.

Existem dois tipos de amnésia que assolam os testadores de software. Temos a amnésia da equipe, que faz com que esqueçamos nossos projetos,  bugstestes e falhas que nos antecederam. Está na hora de desenvolvermos uma memória coletiva que nos ajude a parar de repetir os mesmos erros. Cada novo projeto não é um novo começo, mas apenas um novo objetivo para uma equipe mais experiente. A nave espacial Enterprise mantém um diário de bordo, que documenta as aventuras da tripulação e que pode ser consultado atrás de detalhes que possam auxiliar a tripulação a sair de alguma dificuldade atual. Não estou defendendo o uso de um diário pelas equipes de testes, mas espero que a equipe possua algum mecanismo para retenção do conhecimento. Quanto maior a memória da equipe da Enterprise, melhor sua execução.

Rápido, diga qual o último grande fracasso do produto pelo qual sua equipe é responsável? Sua equipe tem uma memória coletiva dos bugs mais comuns? Vocês dividem os bons testes? Se alguém escreve um teste para uma certa funcionalidade, todos são informados para que possam gastar seu tempo testando outra parte do sistema? Os problemas que quebram seus testes automatizados são documentados para que a trabalhosa análise para corrigi-los não precise ser repetida? Os membros da equipe sabem o que cada um está fazendo, de modo que seus testes se sobreponham o mínimo possível? Isso tudo é alcançado através de quadros e comunicação constante, ou os únicos pontos de sincronização são as reuniões (que param o trabalho e desperdiçam tempo)? Responda sinceramente. O primeiro passo para recuperação é admitir que você possui um problema.

O segundo tipo de problema de memória é a amnésia industrial. Quando mencionei Boris Beizer e o paradoxo do pesticida no último artigo, quantos de vocês tiveram que se informar sobre o assunto? E os que sabiam do que se tratava, como andam seus conhecimentos sobre AJAX? Seja honesto... Existem aqueles que têm tanto uma perspectiva histórica quanto conhecimentos modernos, mas esses são raros demais. Nosso conhecimento, aparentemente, não é coletivo, é situacional. Aqueles que se lembram das descobertas de Beizer, trabalhavam em um mundo onde não existia AJAX e aqueles que falam “webinês” fluente perderam muito do pensamento e conhecimento de base. Lembrar-se apenas do que está à nossa frente não é memória de fato.

Amnésia da indústria é um problema real. Pense dessa forma: aquele problema de teste de software, à sua frente (insira aqui o problema com o qual está trabalhando) já foi resolvido antes. Você está testando um sistema operacional? Alguém já testou muitos deles. Web application? Sim, já foi testado. AJAX? Cliente-servidor? Serviço na nuvem? Sim, sim e sim, já foram testados. As chances são que o que você está testando já foi testado antes. Existem alguns problemas novos na área de teste de software, mas provavelmente o que está à sua frente não é um deles. Infelizmente, a memória da indústria é tão ruim, caso contrário seria fácil buscar ajuda.

Deixe-me terminar esta coluna apontando o dedo para dentro: Como nós, no Google, iremos testar o recém-anunciado sistema operacional Chrome? Quanto conhecimento coletivo nós desenvolvemos com o Chrome e o Android? Quanto do que aprendemos testando o Android irá nos ajudar? Quanto será reaproveitável? Com que facilidade as equipes de testes desses projetos se adaptarão a esse novo desafio? Com certeza muitos dos problemas serão iguais aos que enfrentamos anteriormente.

Será que iremos nos lembrar?

Share Compartilhe esse artigo

Publicado em: 12/10/2009

Autor: Texto traduzido e adaptado de James A. Whittaker

O que fazemos?

Newsletters

Cadastre-se em nosso site para receber nossas novidades em seu e-mail.





©Copyright 2009-2017 - Todos os direitos reservados.